A Fundação Bill & Melinda Gates anunciou uma doação de R$2,2 milhões para combater malária no Brasil. O valor doado será destinado a um consórcio do qual fazem parte o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ele destinados para um projeto que prepara um novo medicamento para malária causada pelo plasmódio P.vivax, este que responde por 90% dos casos no Brasil.

“Nessa primeira parte do projeto, vamos a campo fazer um diagnóstico dessa intolerância à medicação antimalária e observar como as pessoas lidam com esse novo diagnóstico”, explicou Marcus Lacerda, pesquisador da Fiocruz que coordena o consórcio com 30 entidades nacionais e estrangeiras que receberam a doação.”

O CEO da Fundação, Desmond Hellmann, chegou a visitar a Fiocruz no Rio de Janeiro e disse que é preciso “encurtar substancialmente o tempo necessário para disponibilizar novos tratamentos e testes para a malária”

“Uma possibilidade de cura radical para a malária, através da combinação de um novo medicamento em uma única dose, com um diagnóstico que garante que o tratamento é adequado para a pessoa”, foi assim que a CEO da Fundação Bill and Melinda Gates, Desmond-Hellmann, definiu o tratamento que está sendo testado pelo Instituto Elimina, um consórcio de cerca de trinta organizações – que incluem o Ministério da Saúde, a Fiocruz e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “É medicina de precisão sendo usada para populações mais pobres”, destacou.

A nova droga que é o foco da pesquisa é a tafenoquina. É a primeira nova droga em 60 anos contra a malária causada por P. vivax, e reduz o tratamento contra recaídas para um único dia. Atualmente, o tratamento dura de 7 a 14 dias. No entanto, tanto o atual quanto o novo tratamento apresentam riscos para cerca de 5% da população, uma vez que sua interação com a a enzima G6PD, uma condição genética, pode causar efeitos colaterais nestes pacientes, como anemia e até morte. Por isso, o diagnóstico preciso sobre a presença da enzima é essencial para determinar qual tratamento é adequado para cada paciente.

Reunião com o CEO da Fundação Bill & Melinda Gates com representantes da Fiocruz no Rio de Janeiro

A dose única, por outro lado, tem um papel importante nos esforços para a eliminação. A redução facilita que as pessoas completem o tratamento, evitando a recaída. Como a recaída é a principal forma de contaminação na Amazônia, onde a malária é endêmica no Brasil, é prioritário preveni-la. Além disso, a incidência da doença tem um histórico de altos e baixos, e um único caso incubado é potencialmente responsável pela ressurgência da epidemia, explica Marcus Lacerda, pesquisador chefe do Instituto Elimina.

“O Brasil está em uma excelente posição para liderar outros países nos esforços para eliminar a malária”, ressaltou a CEO da Fundação Gates. “Trabalhando em colaboração com o Ministério da Saúde, a Fiocruz e outros parceiros importantes, nosso objetivo é encurtar substancialmente o tempo necessário para disponibilizar novos tratamentos e testes para a malária”, afirmou ainda. A expectativa é que o tratamento esteja aprovado para ser utilizado já em 2019.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima também comemorou a parceria entre as duas instituições, que já dura mais de uma década, e destacou a importância do nosso Sistema de Saúde (SUS) na luta contra a malária e outros problemas de saúde. “É importante pensar o SUS como a principal inovação em saúde, tanto na dimensão tecnológica como social”, afirmou Nísia. Para a presidente, a medicina personalizada abre novas perspectivas de tratamento, mas também traz o risco de gerar novas desigualdades. Por isso, iniciativas em saúde pública são importantes. “Quando falamos de malária, não se trata mais de uma doença negligenciada, mas sim de uma população negligenciada”, definiu Nísia.

A promessa de investimento da Fundação no Brasil não é nova. Tem alguns meses que falamos aqui dos projetos brasileiros que ganharam no Projeto Grand Challenges Explorations (GCE), que nada mais é do que um concurso que premia cientistas com bolsas para a realização de pesquisas de apelo humanitário. O projeto agrega propostas voltadas especificamente para pesquisadores brasileiros é o resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde (Ministério da Saúde), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional de Agências de Financiamento do Estado (CONFAP), e a Fundação Bill & Melinda Gates (BMGF).

Fontes: Fiocruz