Em uma decisão já esperada, a gigante LG decidiu abandonar o mercado de smartphones na China. Segundo informações da própria empresa, é praticamente impossível competir com os aparelhos das empresas locais, como a HuaweiXiaomi e Oppo.

O último modelo da LG lançado no mercado chinês foi o G5, aquele aparelho dito como modular, mas que no final das contas foi um fiasco, e não só na China, como em vários outros mercados. Competir no mercado chinês não é tarefa fácil devido justamente a concorrência local.

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LG G5

Mas, porque estamos falando da China e da LG por aqui? Simples, isso nos faz lembrar da importância de alguns mercados quando o assunto é tecnologia. Poucos devem saber, mas se uma empresa não conseguir uma boa penetração no mercado americano, chinês e indiano, dificilmente conseguirá chegar muito longe. A Microsoft sabe muito bem disso e o Windows Phone foi um bom exemplo de como a estratégia de vendas precisa passar por esses locais.

Lembro bem que o Windows Phone não conseguiu uma boa penetração no mercado americano e chinês ao ponto de ser relevante frente do Android e iOS, que dominavam e dominam com folga nesses dois grandes mercados. Conseguiu um grande sucesso no Brasil e alguns países europeus, mas não nos EUA e China ao ponto de se tornar um concorrente a altura do outros dois.

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Depois de aprender com os erros a Microsoft tem liberado novidades do seu software e novos hardware no mercado chinês com mais velocidade, tanto que a linha Surface já é vendida por lá há um bom tempo, enquanto que por aqui nem passa perto. Não há nem rumores sobre a chegada da linha Surface por aqui e não é difícil entender porque…

O Brasil não é um mercado muito relevante quando o assunto é tecnologia. Por aqui, um dos principais impeditivos são os altos impostos que recaem sobre produtos importados e também sobre os que são produzidos localmente. Com o fim da Lei do Bem em 2016, ela que concedia incentivos fiscais diversos para dispositivos como smartphones, o mercado interno também foi prejudicado e isso explica por que hoje é tão difícil comprar um smartphone de boa qualidade por menos de R$ 1000 por aqui. Se o produto for montado no Brasil a empresa ainda arca com altos custos para importar as peças. Isso diminui um pouco o custo final do produto, porém, ainda assim é um custo elevado.

Claro que existem outros fatores que nos deixam atrás de mercados como a China, como por exemplo, nossa mão de obra é bem mais cara que a chinesa. Por lá, o custo de produção é bem reduzido devido a exploração do trabalhador em diversos sentidos. Não é segredo que muitas empresas chineses continua se aproveitando de um regime de trabalho quase escravo afim de reduzir seus custos. Dessa parte não devemos sentir nem um pingo de inveja…

Frete no Brasil também é um problema, especialmente porque praticamente tudo em nosso país anda em cima de um caminhão, quando deveríamos investir pesado no transporte ferroviário e aquático, dada a extensão do nosso litoral. Sendo assim, as empresas tem custos altíssimos com o transporte de peças, insumos e com o produto final.

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O famoso “Custo Brasil” nos coloca numa posição bem distante do campo de visão de grandes empresas. Companhias como a Microsoft simplesmente perderam o interesse de vender seus produtos por aqui devido ao alto custo imputado a seus produtos. A linha Surface, por exemplo, custaria os olhos da cara por aqui, afinal, sem uma produção local os impostos alfandegários iriam onerar tanto o produto que boa parte dos interessados desistiram da compra.

Penso que um Surface Pro vendido nos EUA por U$ 799 não seria vendido por aqui por menos R$ 3500 (com intel Core m3, 4 GB de RAM e 128 GB de memória interna), um valor muito elevado para o público alvo dessa versão de entrada, que são estudante, pessoas que usam seu PC apenas para navegar na internet e coisas do tipo. Para quem não se lembra, os Lumias 950 e 950 XL não foram vendidos por aqui justamente por serem produtos importados e seu preço final ficaria na casa dos R$ 3000 – 3500. Isso em 2015 seria considerado muito caro.

O custo Brasil foi um dos fatores que impediu a chegada dos Lumias 950 aqui no Brasil

A maior prova do que estamos falando são produtos como o iPhone X e o Samsung Galaxy S8. O aparelhinho da Apple custa nada mais nada menos do que R$ 7.000 na loja oficial da empresa, mas, nos EUA ele é vendido por 7X menos, U$ 1000 para ser mais exato. O mesmo vale para o top da Samsung, que chegou por aqui custando algo na casa dos R$ 5000, enquanto que nos EUA ele custa menos de U$ 1000.

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No Brasil, muitos ainda relacionam status a ter um iPhone e isso pode levar a empresa e elevar ainda mais o preço dos seus produtos

Então, porque essas empresas continuam vendendo seus produtos por aqui? As respostas são simples: porque tem quem compre (custe o que custar), porque o volume de vendas (cobrando altos preços como vimos antes) termina compensando os altos custos e por que para ser líder é preciso ter notoriedade em todo lugar. E olha que não vamos nem falar das pessoas que compram um aparelho desses por status, afinal, andar por ai com um iPhone X de R$ 7000 não é pra qualquer um (#ironicmodeon).

Diante disso, não sei se seria bem o caso de produtos como o Surface… não sei se as pessoas comprariam os aparelhos da linha ao ponto de valer o investimento, afinal, se for para vender seus produtos por aqui tem que ter garantia nacional, certificação nacional, marketing local e tudo isso são custos que se somarão as que já mencionamos acima. Sob a gestão de Nadella a Microsoft não parece disposta a investimentos de risco como esse.

Não vejo perspectiva de mudanças nesse sentido, mas, ainda bem que comprar um produto importado está cada vez mais fácil. Inclusive empresas como a LG e Samsung estão de olho no nosso mercado, pois, cada dia mais tem gente importado seu Xiaomi da China e outros, já que por menos de R$ 700 é possível comprar um produto que supera boa parte dos smartphones intermediários vendidos em nossas lojas do varejo locais.

Se um dia a Microsoft vai reavaliar sua posição com relação ao mercado brasileiro não sabemos, por hora, só nos resta o desejo de comprar um Surface por aqui com todas as regalias da garantia do produto oferecidas nos EUA e China e as promoções diversas que sempre vemos por lá.

Fonte: sohu